Como viajar pelo Brasil no pós covid-19

Fotos: Pexel


Nos últimos 60 dias, conversamos com diversos profissionais do setor para entender como será o “novo turismo” e o “novo turista” no pós covid-19. Muito tem se falado sobre um “novo normal” e como essa nova realidade vai influenciar o turismo, por isso, trazemos agora, um resumão de tudo que esses profissionais nos disseram, e que pode vir a se tornar o “novo normal” para quem pretende turistar pelo Brasil nos próximos meses.

A conversa com esses profissionais ocorreu durante lives promovidas pela Loumar Turismo, e se você quiser ter acesso a esse conteúdo na íntegra, ainda pode acessá-las CLICANDO AQUI.

1 – O Coronavírus nos próximos meses

Bom, para começar a prever o futuro do turismo, precisamos definir alguns parâmetros, e o mais importante deles é sobre o Coronavírus.

Embora a fé, quase inabalável, do brasileiro insista em prever que nós estaremos livres da ameaça do covid-19 nos próximos meses, isso é quase improvável.

Mesmo com a possibilidade de uma vacina, o que deve ser realidade apenas na segunda metade do próximo ano, é quase certo que a presença do Coronavírus será permanente nesse “novo normal”. Assim como outros doenças que surgiram nas últimas décadas, o mais provável é que iremos aprender a conviver com esse vírus. Ele não terá a taxa de letalidade que tem hoje, claro, mas ainda assim, irá representar riscos, assim como o H1N1 e outros.

Acessórios como as máscaras, se tornarão itens de vestuário comum, e obrigatórios em ambientes públicos. Eventos que causam aglomeração precisarão ser revistos, assim como alguns hábitos, tipicamente brasileiros, como abraçar e beijar estranhos no rosto, provavelmente cairão em desuso. 

Dica:
Até que todas as regras para viagens internacionais fiquem claras, evite passar por perrengues e dê preferência para viagens nacionais.

Algumas regras sanitárias poderão ser diferentes de um município ou estado para outro, por isso, esteja preparado para atender a todas as regras. Leve máscaras e luvas para todos os membros da família, em quantidade compatível para utilizar durante todo o tempo em que estiver viajando.

Dê preferência para destinos cujo os pontos turísticos sejam, pelo menos em sua maioria, em ambiente externo. 

2 – Os meios de transporte nos próximos meses

Viajar com o próprio carro será a principal opção para quem não quer ficar se policiando quanto aos próprios hábitos em locais públicos como aeroportos e rodoviárias, e principalmente dentro de ônibus e aviões.

Esses meios de transporte, embora tenham feito grande alarde sobre uma possível modificação na quantidade e disposição de assentos disponíveis, provavelmente não as promoverão. Porque eles não querem? Nao, mas sim porque isso tornaria esses transportes financeiramente inviáveis para as empresas.

Conversando com representantes do setor aéreo, descobrimos que, um vôo comercial doméstico, por exemplo, só é considerado lucrativo para as empresas aéreas, se tiver pelo menos 85% de ocupação de assentos. As empresas aéreas têm baixo lucro e alto custo para operar os vôos. Entre os itens que compõem o custo de uma passagem aérea estão:
– Combustível: 29%
– Salários: 20%
– Compra da aeronave: 16%
– Taxas e impostos: 14%
– Manutenção: 11%
– Outros gastos: 9%
– Lucro: 1%

Pelo menos 30% do custo operacional de um vôo, mesmo doméstico, está diretamente atrelado ao dólar, por isso, a variação cambial pode, e com certeza irá influenciar no preço final da passagem aérea.

Por tudo isso, é quase improvável que as empresas aéreas promovam a retirada ou isolamento do terceiro banco, uma das soluções cogitadas para a “retomada segura” das viagens aéreas, pois com isso, cada vôo perderia cerca de 30% dos assentos, tornando o negócio inviável financeiramente. 

O mesmo problema ocorre com o transporte rodoviário, onde os custos com combustível e pedágios compõem mais de 50% do custo da passagem. 

Seja no transporte aéreo ou no rodoviário, qualquer diminuição na oferta de assentos, representaria um grande acréscimo no valor do custo, que teria que ser automaticamente repassado ao consumidor. 

Por isso, é bem provável que, apenas normas sanitárias, como protocolos de sanitização pré embarque, filtro de alta retenção no ar condicionado, medição de temperatura, uso de álcool gel e obrigatoriedade de máscara sejam incorporadas à essas operações de transporte.

Dica:
Até que o volume médio de passageiros se restabeleça, esteja preparado para possíveis cancelamentos de vôos ou transferências de data e horários. Empresas aéreas costumam cancelar vôos quando estes não atingem uma porcentagem mínima de ocupantes. 

3 – Os meios de hospedagem nos próximos meses

Os meios de hospedagem estão tentando se adaptar, e alguns municípios, como Foz do Iguaçu, já instituíram protocolos sanitários para que os mesmos voltem a atender. Porém, atender aos protocolos sanitários instituídos, é apenas parte da solução.

Mais do que ser, é preciso parecer ser, e os proprietários de meios de hospedagem sabem bem disso.

Por isso, mais do que atender aos protocolos, muitos meios de hospedagem vem buscando formas de modernizar e automatizar procedimentos. Entre os hotéis, o maior desafio está na adaptação da área comum. Restaurantes, áreas de café e recepção serão obrigados a se reinventar. Buffet no café da manhã? Nem pensar! No novo normal, café da manhã e demais refeições serão servidas de forma individual. Check-in e check-out serão automatizados ou feitos de forma eletrônica. A distribuição de hóspedes entre quartos e andares será feita de forma que, quartos sejam ocupados de forma intercalada, evitando aglomerações nos andares. Hotéis horizontais ou com poucos andares levarão vantagem nessa retomada, pois neles, será fácil evitar o uso do elevador.

Hostels, há algum tempo, já vinham tomando cara de hotel, oferecendo aos brasileiros a opção do ambiente de hostel, mas com quartos privativos, e a tendência é que a maioria dos quartos compartilhados se transforme em quarto privativo. 

Nesse formato, o valor atrativo, se comparado ao hotel, deixa de ser tão atrativo, principalmente se comparado aos hotéis econômicos, por isso, terão que apostar ainda mais na criatividade para oferecer um ambiente de hostel, seguro mas com interação.

Já no caso da hospedagem via Air BnB, a plataforma vem orientando seus anfitriões sobre protocolos sanitários, porém, não existe nenhuma ferramenta capaz de atestar se esses protocolos estão sendo ou serão seguidos. As avaliações feitas pelos usuários, são todas “pré covid-19” e vai demorar um tempo antes que se possa confiar apenas nessas avaliações novamente. Neste momento, o certo é que, quem optar por se hospedar em um Air BnB, precisará ter seu próprio protocolo sanitário, cuidando pessoalmente disso no momento em que adentrar ao imóvel. 

Hotel Bogari em Foz do Iguaçu

Dica:
Neste primeiro momento, dê preferência pela hospedagem em hotéis. Estes meios de hospedagem estão sendo fiscalizados por mais de um órgão além de, a maioria atender às normas internacionais de higiene sanitária.

Entre os hotéis, dê preferência para os com poucos andares ou horizontais, assim você evita o uso de elevadores. Evitar a permanência em áreas comuns também é importante nesta retomada.

4 – Os atrativos nos próximos meses

Sabe aquele costume que muitos brasileiros tem, de usar qualquer feriadinho para dar aquela escapadinha, e usufruir do máximo de atrações turísticas em um destino no menor tempo possível? Esqueça!

A partir de agora, suas viagens vão precisar ser melhor planejadas, mesmo quando o destino oferece atrações turísticas a céu aberto, como Foz do Iguaçu.

A tendência é que, a partir de agora, mesmo parques como o Parque Nacional do Iguaçu, um atrativo turístico a céu aberto, comecem a promover o controle da capacidade de carga turística. Ou seja, a partir de estudos, que já devem estar sendo feitos, os atrativos irão limitar a quantidade diária de visitantes a fim de evitar que, em algum momento do dia, ocorra aglomerações em alguma parte do atrativo. 

O Parque Nacional do Iguaçu, onde está as Cataratas do Iguaçu, por exemplo, chegou a receber mais de 15 mil visitantes em um único dia, algo que provavelmente não será permitido em um futuro próximo. Ainda não há informações sobre limite de visitantes por atrativo, mas é certo que, na retomada, esses limites sejam divulgados.

Dica:
Planeje melhor seus dias no destino turístico e consulte uma agência de turismo local, que provavelmente estará mais antenada com as limitações de cada atração turística e poderá lhe ajudar a criar um roteiro que se encaixe nesta nova realidade.

Compre ingressos e faça reservas antecipadamente, preferencialmente com as agências locais ou com o próprio atrativo, via site, e evite filas de bilheteria.

Evite a todo custo, tomar esta decisão na última hora, pois isso poderá lhe custar muito tempo e custos de deslocamento sem garantir que irá aproveitar a atração turística.

5 – Transportes e traslados nos próximos meses

Se para percorrer grandes distâncias, o transporte de massa é inevitável, quando se trata de traslado e transporte para atrativos, há opções mais seguras para a retomada do turismo.

A maioria dos municípios no Brasil, já definiu procedimentos sanitários para os meios de transporte locais, porém, é muito difícil garantir que eles estejam sendo cumpridos quando se trata de transportes de alta rotatividade.

Ônibus urbano, táxis e transporte por aplicativo transportam centenas de pessoas ao dia, e é muito difícil garantir que os procedimentos estejam sendo praticados a cada desembarque. 

Empresas de transporte turístico, por sua vez, transportam menos pessoas e permanecem mais tempo com as mesmas pessoas tendo assim, mais tempo para promover os protocolos sanitários entre um desembarque e um embarque. 

Dica:
Dê preferência para transportes privativos e/ou com distanciamento de assentos. Prefira veículos com assentos de plástico, courvin ou couro, pois estes possibilitam o uso de líquidos desinfectantes a cada desembarque. Evite veículos cujo os assentos são cobertos com tecidos, até o momento, não existem estudos sobre o tempo de sobrevivência desse vírus em diferentes tipos de tecido. No entanto, baseando-se em pesquisas com outros patógenos, os especialistas acreditam que os vírus, de maneira geral, podem ter sobrevida de 72 a 96 horas em tecidos.

Uso de máscara e disponibilização de álcool em gel devem ser obrigatórios nestes veículos.

Medição de temperatura é um diferencial que deve ser observado em transportes de média e longa duração.

Bagagens e passageiros não devem ocupar o mesmo compartimento, e bagagens nunca devem ser transportadas nos assentos. 

6 – Viagem segura nos próximos meses

Será totalmente possível viajar com segurança pelo Brasil nos próximos meses, mesmo sem uma vacina ou remédio eficaz contra o Coronavírus, basta seguir todas as orientações sanitárias e optar pelo serviço de empresas que também a seguem.

Cidades como Foz do Iguaçu, vem se preparando para esse “novo normal” desde o primeiro dia do decreto de quarentena e estarão preparadas para lhe receber, observando todas as orientações da O.M.S. 

Siga as orientações de seu agente de viagens e/ou de sua agência de viagens. Evite o “jeitinho brasileiro” e faça a coisa certa. No “novo normal”, tentar pular etapas e ou levar vantagens poderá representar um risco para sua saúde e a da sua família, mas, se programar com antecedência e seguir todas as orientações, além de observar as dicas deste texto, poderão lhe garantir uma viagem segura e inesquecível. 

Turismo em Foz do Iguaçu
Quer mais dicas sobre Foz do Iguaçu ou ficar antenado sobre as ações da cidade para mitigar os efeitos causados pela pandemia do covid-19?

Participe de nossos grupos de relacionamento com clientes no Whatsapp ou Telegram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *