De São Paulo a Foz do Iguaçu de carro: o relato de uma viagem sem pressa, com paisagens, sabores e aprendizados inesquecíveis

Se você chegou até este texto, provavelmente busca mais informações sobre viagem de carro para Foz do Iguaçu, e sim, neste texto você vai encontrar muitas. Mas antes de falar mais sobre a viagem, preciso me apresentar. Me chamo Kaká Souza, sou criador de conteúdo para o canal de Youtube da Loumar, colunista do Portal Clickfoz e também publico textos aqui no Blog da Loumar, mas talvez você já me conheça pelo meu perfil no Instagram, o Guia Paraguai.

Como produtor de conteúdo, obviamente, não perdi a oportunidade de produzir conteúdo sobre essa viagem, então, se preferir assistir a websérie, dividida em cínco capítulos, “Viagem de Carro de São Paulo a Foz do Iguaçu Desbravando o Paraná”, é só clicar no link abaixo para curtir essa viagem pela tela da sua TV, celular ou computador.

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Existem diversas frases de impacto que, de tempos em tempos, são atribuídas a pensadores e personalidades diferentes, falando sobre a importância de “aproveitar o caminho”.

 

Ralph Waldo Emerson disse: “A vida é uma jornada, não um destino final.”

William Shakespeare escreveu: “Toda a vida é uma jornada, e as coisas que vemos durante a jornada são as únicas coisas que importam.”

Kessy Jones disse: “A jornada é tão importante quanto o destino final. Aproveite cada passo.”

 

Se essas frases foram mesmo ditas ou escritas pelos nomes atribuídos a elas, jamais busquei pesquisar, mas uma coisa posso garantir: nunca levei qualquer uma delas em consideração.

Tudo bem, era para estarmos conversando sobre viagens, mas, para você entender por que nunca levei essas frases a sério, eu preciso contar que cresci e me formei em São Paulo,  cidade onde você aprende, desde cedo, que “perder tempo é perder dinheiro” e que “o melhor caminho entre dois pontos é uma reta”. São Paulo é a cidade que nunca dorme, onde se come enquanto se caminha de um ponto a outro.

Mesmo depois de escolher mudar de vida, tornando-me um iguaçuense de coração, não consegui abandonar completamente esse costume. Há 30 anos, faço o caminho entre São Paulo e Foz do Iguaçu, quase sempre traçando a linha mais reta possível. Para mim, a viagem sempre foi apenas isso: um intervalo para chegar ao destino final.

Ou era, até conhecer a Andrea Molnar e suas inúmeras histórias de viagem, cujo destino final era o mesmo que o meu.

Andrea é carioca, viajante experiente e um espírito livre — daqueles que enxergam poesia no asfalto e histórias em cada curva da estrada. Além disso, ela ama pesquisar sobre a vida, cultura, religião e gastronomia dos lugares por onde passa ou por onde ainda pretende passar.

Quando ela me desafiou a transformar o percurso entre São Paulo e Foz do Iguaçu em uma jornada de descobertas, confesso que hesitei. Sou um homem prático, acostumado à pressa e à eficiência. Mas sua proposta era irrecusável. No alto dos meus 47 anos, percebi que precisava aprender a levar a vida de um jeito mais leve: viajar sem pressa, explorando cada oportunidade que o caminho pudesse oferecer.

Amanhecer na Avenida Paulista, coração financeiro da cidade de São Paulo. Foto: Kaká Souza.

Foi assim que, em uma manhã dessas, embarcamos nessa aventura com destino ao Paraná. Sabíamos que Foz do Iguaçu seria o ponto final, mas não definimos um caminho nem quantos dias levaríamos para chegar. Apenas uma coisa ficou clara: essa não seria uma das viagens longas que Andrea costuma fazer, como as que chegam a durar 15 dias até Foz. Esta seria uma viagem de aprendizado para alguém que nunca havia viajado sem focar apenas no destino final.

Sair de São Paulo com destino a Foz, passando por cidades cheias de história, paisagens de tirar o fôlego e sabores inesquecíveis, era a oportunidade perfeita para aprender que a viagem pode ser tão ou mais rica que o destino.

Este é o meu relato, de uma viagem que me ensinou a enxergar de forma diferente o que existe entre o ponto de partida e o ponto de chegada, e eu espero que te ajude a programar e aproveitar melhor sua próxima viagem de carro.

Primeira Parada: São Paulo – Explorando o Ponto de Partida

Como conhecedores da capital paulista, explorar São Paulo não estava em nossos planos, mas vale destacar que, se você vem de outra cidade ou estado, muitos caminhos para o Paraná passam pela metrópole, e essa parada vale a pena.

Estação da Luz, em São Paulo. Foto: Kaká Souza

Apesar de morar em Foz há décadas, o centro de São Paulo sempre me fascinou. Mesmo que dormir na capital não seja uma opção, uma visita rápida ao Mercado Municipal é um programa imperdível. Uma viagem pode começar com bons sabores, e o sanduíche de mortadela do Mercadão é garantia de memórias deliciosas.

No Mercadão, o lanche de mortadela é obrigatório — exagerado no tamanho e no sabor. Para algo mais leve, o pastel de bacalhau é uma ótima pedida. Aproveite para comprar snacks para a estrada: frutas secas, castanhas ou doces que tragam boas lembranças.

Dica para viajantes:

  • Horário ideal: Comece cedo para evitar o trânsito pesado.
  • Estacionamento: Estacionar na rua, no centro de São Paulo, não é uma opção. Saiba que você vai precisar gastar com estacionamentos privados caso queira explorar a região.
  • Itens de viagem: Leve petiscos frescos para a estrada e não se esqueça de garantir a hidratação.

 

De volta ao carro, com o GPS ajustado para Curitiba, percebi que essa viagem seria diferente. Com Andrea no banco do passageiro e minha mente se abrindo a novas possibilidades, seguimos pelo Rodoanel até a Rodovia Régis Bittencourt, a famosa BR-116.

Segunda Parada: Embu das Artes – Café Colonial no Caminho

Sair do centro de São Paulo em direção a qualquer rodovia, mesmo fora do horário de rush, é garantia de enfrentar trânsito pesado de caminhões, mas paciência, isso faz parte da viagem. Pouco depois de deixar São Paulo, nossa primeira parada estratégica foi em Embu das Artes. Andrea havia pesquisado todo o trajeto e tinha conhecimento da existência de uma padaria que oferecia uma espécie de “café colonial”, anexa a um posto de combustíveis: a Padaria Gramado Express.

“Combustível para o carro e para a gente, Kaká. Tudo no mesmo lugar!”, brincou ela enquanto estacionávamos.

A padaria tinha aquele charme rústico, típico de beira de estrada, com uma decoração que misturava simplicidade e aconchego. O aroma de café fresco e pão na chapa nos puxou para dentro, onde uma vitrine farta nos aguardava: pães variados, bolos caseiros, salgados e produtos que mesclavam o rústico com o industrial. Andrea escolheu um pão na chapa com café com leite, enquanto eu optei por um pão de queijo quentinho acompanhado de café preto.

Dica para viajantes:

  • Gramado Express: Localizada na rodovia Régis Bittencourt, na entrada de Embu das Artes, é uma excelente opção para um lanche reforçado antes de pegar a estrada.
  • Tempo de parada: Reserve ao menos 40 minutos para comer com calma e abastecer o carro.
  • Extra: Se tiver tempo, o centro histórico de Embu das Artes é conhecido pelas lojinhas de artesanato e vale uma visita rápida.

 

De volta à BR-116, seguimos com o carro abastecido e o espírito renovado, enfrentando as curvas suaves da rodovia que serpenteia pela Serra do Mar. Andrea, sempre curiosa, apontava as cidades que cruzávamos, contando histórias ou sugerindo que parássemos para uma foto. Mesmo relutante, comecei a notar que havia mais valor no percurso do que eu imaginava.

Terceira Parada: Curitiba – Descanso na Capital Verde

Já passava das 13h quando chegamos a Curitiba, onde havíamos decidido pernoitar. Escolhemos um hotel no centro, prático e confortável, que nos permitiu explorar a cidade sem precisar nos preocupar com deslocamentos longos.

Entardecer no centro de Curitiba. Foto: Kaká Souza.

Andrea sugeriu um almoço leve no Shopping Estação, e depois de descansarmos no hotel, resolvemos caminhar até a famosa Rua 24 Horas. A galeria coberta, com bares e restaurantes, nos surpreendeu com o clima descontraído. Conhecemos o Bávaro Burguer, famoso por seus hambúrgueres suculentos e música ao vivo, e acabamos ficando mais tempo do que esperávamos, encantados pelo carisma do artista que se apresentava.

“Vai ser difícil acordar cedo amanhã, mas prometo que a Estrada da Graciosa vai valer a pena”, disse Andrea com um sorriso ao retornarmos ao hotel.

Dica para viajantes:

  • Hospedagem: Curitiba oferece opções para todos os bolsos, mas hotéis próximos ao centro ou ao Jardim Botânico são estratégicos.
  • Gastronomia: Experimente pratos típicos como a carne de onça.
  • Logística: Programe-se para sair cedo rumo à Estrada da Graciosa, evitando trânsito e aproveitando a luz da manhã.

 

Quarta Parada: Estrada da Graciosa – O Caminho das Flores

Na manhã seguinte, partimos cedo rumo à Estrada da Graciosa. Era impossível não sentir o impacto da beleza natural ao longo do caminho. Andrea, sempre entusiasta, sugeriu paradas nos mirantes. De um deles, avistamos um vale exuberante, coberto por um tapete de verde que se estendia até o horizonte.

“Isso é viajar, Kaká. Não é só chegar ao destino, mas viver cada etapa”, disse Andrea, ajustando a câmera no celular para capturar o momento.

As bromélias e orquídeas selvagens, misturadas ao som do vento entre as árvores, transformavam a estrada em uma pintura viva. Por um momento, esqueci a pressa habitual e me deixei envolver pelo trajeto.

Dica para viajantes:

  • Horário ideal: Percorra a Graciosa pela manhã, quando a luz realça as paisagens.
  • Paradas obrigatórias: Aproveite os mirantes e, se possível, prestigie os artesãos, conhecendo e adquirindo artesanato local.
  • Atenção: A estrada tem muitas curvas e, em dias úmidos, pode ser escorregadia. Respeite o limite de velocidade e a sinalização.

 

Quinta Parada: Morretes – A Cidade do Barreado

Depois de cruzar a Estrada da Graciosa, chegamos a Morretes, uma cidade encantadora com ruas de paralelepípedo, casarões históricos e o rio Nhundiaquara cortando o centro. Não demoramos a perceber que estávamos em um lugar especial, onde tradição e natureza convivem harmoniosamente.

Andrea havia ouvido falar sobre o Madalozo, um dos restaurantes mais tradicionais da cidade, famoso pelo barreado. No entanto, ao chegarmos lá, nos deparamos com uma multidão de passageiros que haviam chegado no trem turístico de Curitiba. Muitos tinham pacotes que incluíam o almoço no restaurante, o que tornou o ambiente um pouco tumultuado para o que esperávamos.

Restaurante Armazém da Serra, em Morretes. Foto: Kaká Souza.

Decidimos, então, explorar outras opções e acabamos no Armazém da Serra. Foi uma grata surpresa! O local era impecável de tão bonito, com uma decoração aconchegante e ao mesmo tempo sofisticada, que refletia a essência de Morretes. A experiência foi incrível desde o início.

Os garçons eram extremamente atenciosos, explicando em detalhes como apreciar o famoso barreado – uma tradição que vai além do sabor, envolvendo o modo de misturar os ingredientes e aproveitar cada camada do prato. Além do barreado, pedimos também uma porção de frutos do mar, com peixe e camarões frescos que estavam deliciosos.

“Isso aqui é uma obra de arte, Kaká. Tanto a comida quanto o atendimento”, disse Andrea, enquanto saboreávamos cada pedaço da experiência.

Rio Nhundiaquara, em Morretes. Foto: Kaká Souza.

Após o almoço, fizemos uma caminhada relaxante às margens do rio Nhundiaquara, aproveitando para visitar lojinhas de artesanato local e conversar com os moradores, que nos receberam com simpatia e histórias sobre a cidade. Aproveitei para adquirir por alí as famosas “balas de banana”, outro símbolo da região, e também a famosa cachaça de banana.

Dica para viajantes:

  • Restaurantes: Além do tradicional Madalozo, o Armazém da Serra é uma excelente escolha, com um ambiente acolhedor e comida deliciosa.
  • Gastronomia: Não deixe de experimentar o barreado acompanhado de arroz, farinha e banana – é uma combinação única e típica da região.
  • Passeios: Caminhar pelo centro histórico e explorar o rio Nhundiaquara são programas imperdíveis.

 

Revigorados pela hospitalidade de Morretes, voltamos ao carro, prontos para continuar a jornada. Andrea estava claramente satisfeita, não apenas com a mudança de planos que nos proporcionou uma experiência gastronômica incrível, mas também com meu crescente interesse pelo caminho. Sim, eu estava começando a entender a importância de aproveitar o caminho…

Sexta Parada: Curitiba – Da Carne de Onça aos Jardins da Cidade

Depois de aproveitar Morretes, decidimos retornar a Curitiba para uma experiência gastronômica única: experimentar a famosa Carne de Onça na Mercearia Fantinato. Esse prato tradicional curitibano, que mistura carne bovina crua temperada com cebola, cebolinha e especiarias, é servido com pão preto e mostarda escura. A Fantinato, eleita cinco vezes a melhor Carne de Onça da cidade pelas revistas Veja e Bom Gourmet, realmente fez jus à fama. Foi uma experiência deliciosa para Andrea, que já conhecia a Fantinato pela dica de outro viajante, e uma novidade para mim, que amei descobrir.

Após o jantar, voltamos ao hotel em Curitiba para descansar e nos preparar para o dia seguinte, que seria dedicado a explorar a cidade de uma forma diferente: utilizando o Ônibus Turístico de Curitiba.

Memorial Ucraniano, uma das paradas do Ônibus Turístico de Curitiba. Foto: Kaká Souza.

Na manhã seguinte, deixamos o carro no hotel e embarcamos no ônibus turístico, que percorre os principais pontos da capital paranaense. Nossa primeira parada foi no icônico Jardim Botânico, com sua estrutura de vidro inspirada nos palácios de cristal europeus, cercada por jardins geométricos. Em seguida, visitamos o Memorial Ucraniano, onde conhecemos mais sobre a história e a cultura dos imigrantes ucranianos na região.

Espelho d’água do Parque Municipal Tanguá, em Curitiba. Foto: Kaká Souza.

Por fim, fomos ao Parque Tanguá, um espaço belíssimo com jardins floridos, mirantes e uma vista de tirar o fôlego.

O dia foi tranquilo e bem aproveitado, mostrando diferentes facetas da riqueza cultural e natural de Curitiba.

Dica para viajantes:

  • Restaurantes: Se pretende conhecer a gastronomia local, vá com tempo e chegue cedo. Restaurantes como a Mercearia Fantinato costumam ter fila de espera mesmo durante a semana. 
  • Logística: O ingresso do Ônibus Turístico de Curitiba tem validade de 24 horas, mas se quiser ganhar tempo, comece cedo. O primeiro ônibus inicia a rota por volta das 08 horas da manhã.
  • Logística 2: Muitos dos principais pontos de interesse turístico, ou cobram pelo estacionamento ou não possuem estacionamento. Usar o Ônibus Turístico de Curitiba ns economizou tempo e dinheiro.

Sétima Parada: Ponta Grossa – Uma Promessa de Retorno

Na manhã seguinte, seguimos viagem pela BR-277 em direção a Ponta Grossa, onde fizemos uma breve parada, para apreciar, ainda que à distância, o Parque Estadual de Vila Velha, conhecido por suas formações rochosas de arenito. Andrea já havia feito o passeio guiado anteriormente, e, por conta dos planos que já havíamos traçado para aquele dia, optamos por não repetir a experiência. Para mim, ficou a certeza de que o parque estará na minha lista de locais para visitar na próxima viagem.

Oitava Parada: Carambeí – Um Retorno às Origens Holandesas

Continuamos para Carambeí, famosa por sua cultura holandesa e pelo Parque Histórico de Carambeí, um museu a céu aberto que retrata a vida dos imigrantes com réplicas de casas, igrejas e moinhos. Passeamos pelo parque e apreciamos a riqueza cultural da região, que encantou tanto a Andrea quanto a mim.

Parque Histórico de Carambeí. Foto: Kaká Souza.

Dica para viajantes:

  • Atrativos: O Parque Histórico de Carambeí é o principal ponto turístico, com a Vila Histórica, Casa da Memória e outros espaços que retratam a imigração holandesa. Mas se quiser expandir ainda mais a experiência na cidade, inclua no seu roteiro o Het Dorp, um vilarejo holandês com plantações de lavanda que rendem fotos perfeitas, e a Igreja Evangélica Reformada de Carambeí.
  • Gastronomia: As tortas holandesas também são um atrativo imperdível. Você pode experimentar a iguaria no restaurante Koffiehuis Confeitaria, dentro do Parque Histórico de Carambeí.

Nona Parada: Castro – Conhecendo a Castrolanda

De Carambeí, seguimos para Castro e visitamos a Castrolanda, uma colônia holandesa que impressiona pela organização e preservação da história. O destaque foi o Moinho da Castrolanda, um dos maiores moinhos de vento da América Latina, que abriga um museu sobre a colonização.

Centro Cultural Castrolanda, em Castro-PR. Foto: Kaká Souza.

Almoçamos no restaurante da Castrolanda, que oferece um buffet delicioso por um valor mais delicioso ainda, em um ambiente acolhedor e repleto de história. Foi uma experiência realmente deliciosa e, ao mesmo tempo, culturalmente enriquecedora.

Dica para viajantes:

  • Para conhecer mais: Visite também a Igreja Matriz de Sant’Ana, a Casa da Praça e o Museu do Tropeiro, que contam a história da cidade e do tropeirismo.
  • Conecte-se com a natureza: Visitando o Parque Lacustre, um espaço de lazer e contato com a natureza, com lagos e áreas para prática de esportes e caminhadas.

Décima Parada: Prudentópolis – Um Mergulho na Cultura e na Natureza Ucraniana

Após explorar Castro e almoçar na Castrolanda, seguimos viagem direto para Prudentópolis, onde passamos a noite em um hotel simples, mas confortável, já nos preparando para um dia cheio de aventuras e descobertas.

Nosso dia em Prudentópolis começou com uma imersão na cultura religiosa da cidade. Visitamos a belíssima Igreja de São Josafat, um marco da colonização ucraniana no Brasil. Seu interior ricamente decorado, com ícones religiosos pintados à mão e a cúpula imponente, refletia a fé e a história dos imigrantes que construíram a região.

Igreja de São Josafat, em Prudentópolis. Foto: Kaká Souza.

Além dela, conhecemos outras igrejas menores, cada uma com sua própria história e detalhes arquitetônicos únicos, que reforçam o vínculo profundo da cidade com suas raízes ucranianas.

Monumento Natural Salto São João, em Prudentópolis. Foto: Kaká Souza.

De lá, partimos para explorar as maravilhas naturais de Prudentópolis. A primeira parada foi no grandioso Salto São João, que com seus 84 metros de altura e o som ensurdecedor da água em queda, nos deixou impressionados. A trilha até o mirante nos proporcionou momentos de contemplação da vegetação exuberante e de vistas incríveis da cachoeira.

Depois dessa experiência, seguimos para a Cachoeira Perehouski, onde decidimos passar o restante do dia.

Andrea molnar fez parada estratégica para banho na Cachoeira Perehouski. Foto: Kaká Souza.

Trata-se de uma propriedade privada, mas aberta à visitação e lá, além de aproveitar o banho refrescante nas águas cristalinas, tivemos a chance de experimentar uma sobremesa ucraniana feita com uma espécie de iogurte artesanal e cereais. O sabor era delicioso, embora o nome da iguaria tenha escapado da minha memória.

No fim da tarde, com o coração leve e a alma renovada, partimos rumo a Guarapuava, prontos para as próximas descobertas.

Dica para viajantes:

  • Melhor época: A primavera e o verão são ideais para visitar Prudentópolis, quando as cachoeiras estão com mais volume de água.
  • Gastronomia: Experimente pratos típicos da culinária ucraniana, como o pastel perohê, o crem com beterraba e o salame Cracóvia.

Décima Primeira Parada: Guarapuava – Entre Fé, Cultura e Cenários Naturais

Chegamos em Guarapuava ao cair da noite e, mesmo cansados, ainda fomos conhecer a Catedral Nossa Senhora de Belém, iluminada e imponente no centro da cidade. Sua arquitetura moderna e a serenidade do local nos encantaram.

Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava. Foto: Kaká Souza.

No hotel, fomos recebidos por uma vista incrível para o Vale do Jordão, que mesmo sob o céu noturno tinha sua beleza destacada. Após uma noite tranquila, acordamos com o nascer do sol iluminando o vale e nos deliciamos com um café da manhã reforçado.

Vista do Salto São Francisco a partir do mirante em Guarapuava. Foto: Kaká Souza.

Nosso destino do dia foi o Salto São Francisco, uma das maiores cachoeiras do Sul do Brasil, com impressionantes 196 metros de altura. A caminhada até o mirante exigiu certo preparo, mas a recompensa foi uma paisagem espetacular: a água despencando em meio à vegetação densa e os cânions que pareciam se perder no horizonte.

Salto dos Cavalheiros em Guarapuava. Foto: Kaká Souza.

No mesmo parque onde fica o Salto São Francisco, há outro ponto imperdível: o Salto dos Cavalheiros. Com uma queda menor, mas igualmente impressionante, o local oferece outra perspectiva fascinante das belezas naturais da região. A proximidade entre os dois saltos torna a visita ainda mais especial, com trilhas que proporcionam uma conexão ainda maior com a natureza.

Ficamos imersos nessa paisagem por horas, aproveitando para tirar fotos e contemplar a grandiosidade da natureza ao nosso redor.

Dica para viajantes:

  • Mais cultura: A cidade também possui museus interessantes, que valem uma visita, como o Museu Visconde de Guarapuava e o Museu de Ciências Naturais.
  • Vale a pena parar pra ver: Mesmo que sua ideia não seja a de parar em Guarapuava, passando pela BR-277 nas proximidades da cidade, praticamente ao lado da rodovia, existe a Cascata Rio das Pedras, uma linda cachoeira que oferece um espaço para estacionar o carro e um mirante com estrutura para visitação, incluindo uma escada que leva perto da queda d’água.

Décima Segunda Parada: Cascavel – Um Refúgio Diferente e Charmoso

Depois de um dia cheio de aventuras em Guarapuava, seguimos pela BR-277 em direção a Foz do Iguaçu. No entanto, como já era relativamente tarde e não queríamos enfrentar a estrada à noite, optamos por uma pernoite em Cascavel. A decisão nos levou a uma experiência única no Recanto Catarina, um lugar estrategicamente localizado próximo à rodovia, o que nos poupou de enfrentar o trânsito da cidade.

Chalé “Por do Sol” no Recanto Catarina, em Cascavel. Foto: Kaká Souza.

O Recanto Catarina oferece hospedagem em chalés temáticos, cada um com uma decoração diferente e encantadora. Escolhemos um dos chalés e ficamos fascinados com os detalhes do espaço, que combinam conforto e criatividade. Após nos acomodarmos, a fome bateu, mas o cansaço falou mais alto, então decidimos pedir uma pizza por delivery para o jantar, aproveitando a tranquilidade do lugar.

Na manhã seguinte, acordamos renovados e fomos surpreendidos com um café da manhã entregue diretamente no chalé, em lindas cestas repletas de delícias regionais. Foi uma forma charmosa e acolhedora de começar o dia.

Antes de retomar a viagem, aproveitamos para conhecer o Parque Municipal Paulo Gorski, um dos principais cartões-postais de Cascavel. O parque nos encantou com suas trilhas arborizadas e o imenso lago, onde várias espécies de aves fazem morada. É o tipo de lugar que combina tranquilidade e contato com a natureza, ideal para quem busca uma pausa antes de pegar a estrada novamente.

A Tentação Irresistível em Matelândia

De volta à BR-277, seguimos rumo a Foz do Iguaçu, mas com uma parada planejada em Matelândia. Eu não poderia deixar de apresentar à Andrea algo que ela ainda não conhecia: a famosa salada de frutas do Castelletto Dal Pozzo. O local é um clássico da região, perfeito para um lanche leve e refrescante. A Andrea ficou encantada com a mistura de frutas frescas e creme, e nós aproveitamos para esticar as pernas antes da última etapa da viagem.

Salada de frutas do Castelletto Dal Pozzo, em Matelândia. Foto: Kaká Souza.

Com as energias renovadas e o paladar satisfeito, seguimos viagem, prontos para o destino final dessa jornada inesquecível: Foz do Iguaçu.

Finalizando a Jornada

Depois de sairmos de Matelândia, o trecho final da viagem foi relativamente curto. A BR-277 nos levou diretamente a Foz do Iguaçu, onde encerramos essa jornada cheia de descobertas e experiências inesquecíveis.

Para os curiosos e planejadores de plantão, aqui está um balanço detalhado da viagem:

Muito menos quilômetros do que você esperava


Depois desse relato, imagino que você, leitor, deve estar imaginando que essa viagem consumiu muito mais quilômetros do que uma viagem, seguindo diretamente de São Paulo para Foz do Iguaçu consumiria (e eu também achava isso no início dessa jornada), mas ao verificar o hodômetro na chegada a Foz, cheguei à conclusão que o benefício pelos quilômetros a mais, fizeram valer muito a pena o deslocamento extra. 

Se eu e Andrea tivéssemos feito o caminho normal, teríamos percorrido pouco mais de 1.000 km. 

Aproveitando tudo que as estradas do Paraná nos ofereceram, entrando nas cidades e conhecendo pontos de interesse pelo caminho, desde o centro de São Paulo até Foz do Iguaçu, percorremos o total de 1.530 km. Se você resistiu à tentação de assistir a Websérie completa, considere  assistir agora, clicando no link abaixo. Trata-se de uma série de 5 episódios onde você vai poder acompanhar toda essa viagem épica com riqueza de detalhes.

 

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Gasto com Combustível


O total gasto com abastecimento ao longo da viagem foi de R$ 618,83, distribuídos em quatro paradas:

  • Embu das Artes: R$ 125,74
  • Colombo: R$ 162,40
  • Castro: R$ 183,42
  • Guarapuava: R$ 147,27

Pedágios Pagos

Vale lembrar que até o fim desta viagem, boa parte das praças de pedágio no Estado do Paraná estavam liberadas, porém, uma grande parte delas voltou a funcionar, por isso, o nosso gasto com pedágios não vai representar a realidade do viajante na atualidade. Ao todo, passamos por 11 pedágios, totalizando R$ 113,60.

  • Parelheiros: R$ 5,10
  • São Lourenço da Serra: R$ 4,00
  • Miracatu: R$ 4,00
  • Juquiá: R$ 4,00
  • Cajati: R$ 4,00
  • Barra do Turvo: R$ 4,00
  • Campina Grande do Sul: R$ 4,00
  • Pinhais: R$ 22,60
  • Purunã: R$ 8,70
  • Carambeí (ida e volta): R$ 22,80
  • Imbituva: R$ 10,00

Conclusão


A viagem foi um verdadeiro aprendizado sobre como aproveitar o caminho, e não apenas o destino. Além de descobrirmos lugares novos e culturas diferentes, também aprendi, graças à paciência e a experiência de viajante da Andrea, a viajar sem pressa, desfrutando de cada momento.

Se você está pensando em encarar uma aventura parecida, considere os números acima para se planejar e, principalmente, esteja aberto às surpresas e desvios que podem transformar uma simples viagem em uma experiência inesquecível.

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